5 atitudes que podem transformar o fim de ano em tragédia
99ª PrevNews: Você tem a responsabilidade de espalhar a segurança para sua familia e seu cliente nesse final de ano!
Bom dia, PrevLeitor(a)
Todo fim de ano é a mesma cena para nós que trabalhamos com segurança e prevenção. Nós já sabemos que o risco é muito maior nessa época. Os pisca-piscas aparecem, as velas entram na mesa do jantar, as extensões viram solução para tudo e os bombeiros passam a trabalhar de forma muito mais acentuada…
E, é exatamente por isso que escrevemos essa PrevNews. Porque, gostemos ou não, quando chega dezembro, nós que temos conhecimento do perigo e da prevenção somos os responsáveis por proteger a nossa família, nossos amigos e nossos clientes. Eles confiam na nossa orientação, mesmo sem pedir. E se todo ano temos a mesma conversa, este ano não será diferente.
Cabe a nós puxar esse assunto à mesa até que vire hábito, até que vire cultura.
Nesta edição, você vai ler:
• Os riscos que mais disparam no fim de ano
• Por que pequenos hábitos ainda geram grandes incêndios
• O que você precisa orientar sua família e seus clientes a fazer
• Um guia simples de prevenção para usar ainda em 2025
• As principais notícias do setor
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O básico que sempre fica de lado
Para começarmos, vale lembrar por que nós insistimos em prevenção justamente no fim de ano. Não é tradição. É realidade operacional. Todo bombeiro sabe que dezembro e janeiro trazem um aumento perceptível nas ocorrências. As notícias confirmam: estados como Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina reforçam equipes porque incêndios residenciais, curtos elétricos e acidentes domésticos disparam nessa época.
E o motivo não é mistério. Dezembro reúne todos os fatores que tentamos evitar o ano inteiro: mais carga elétrica, mais fontes de ignição, mais improviso, mais álcool, mais distração e menos supervisão. É o único mês em que a população aumenta o risco e reduz a atenção ao mesmo tempo.
Dentro de casa, o primeiro problema é sempre a decoração. Árvores de plástico são altamente combustíveis. Pisca-piscas sem selo do Inmetro aquecem, derretem e viram pontos de ignição. Fios ressecados e extensões usadas como “tomada infinita” criam sobrecarga real, aumentando o risco de arco elétrico. Tudo isso somado a um mês inteiro com os equipamentos ligados diariamente.
As velas completam o cenário. Tecidos, papel, álcool e distração fazem delas uma das fontes de fogo mais perigosas das festas. E os fogos de artifício seguem como causa frequente de queimaduras e amputações, principalmente por produtos sem instrução clara.
Fora de casa, o risco continua. Festas de empresa, shoppings lotados, confraternizações e eventos temporários trazem superlotação, estruturas improvisadas e rotas de fuga que ninguém observa. A engenharia de incêndio é clara: ambientes assim exigem atenção redobrada.
E ainda há as viagens. Casas desassistidas, gás aberto, aparelhos ligados e portas internas abertas criam o cenário perfeito para um incêndio se desenvolver sem detecção. É por isso que recomendações como fechar portas e retirar aparelhos da tomada são tão repetidas: funcionam.
O que não falta é motivos de risco… Ou seja, fica claro que o fim de ano não “inventa” riscos; ele amplifica todos que já existem.
Só que, está claro para nós da áres, mas… E para nossos familiares e clientes? Será que eles sabem desse risco?
O que você precisa ensinar antes que seja tarde
Se para sua família, amigos ou clientes ainda está obscuro o risco do final de ano, cabe a você iluminá-los e mostrar os perigos. Por isso, separamos aqui os cinco principais pontos que você deve levar adiante. É sua responsabilidade como alguém consciente do problema. Afinal, se você sabe do perigo e não orienta ninguém, você assume o risco. E, como aprendemos duramente no caso da Boate Kiss, quando você escolhe não agir, você escolhe assumir as consequências.
A seguir estão as cinco conversas que você precisa ter antes das festas começarem de fato. Simples de explicar, fáceis de aplicar e com impacto direto na proteção da família, dos amigos e dos clientes.
1. Ensine que decoração não é inofensiva.
A primeira coisa que as pessoas precisam entender é que árvore de Natal e eletricidade não combinam por acaso. Explique o básico de maneira acessível: luzes aquecem, plástico queima rápido, fios ressecados geram arco elétrico. Mostre o selo do Inmetro, incentive a testar o aquecimento das luzes com a mão e deixe claro por que não se deve dormir com o pisca-pisca ligado. Essa conversa simples previne o tipo de incêndio que destrói casas todos os anos.
2. Mostre por que a “tomada infinita” é um mito perigoso.
Ninguém fora da área entende sobrecarga elétrica. Para a família, o T é só “um jeito de ligar mais coisas”. Para nós, é um convite ao curto-circuito. Explique que cada tomada suporta um único equipamento e que extensões não resolvem limitações estruturais. Uma conversa de dois minutos elimina um risco diário.
3. Alerta essencial: velas e distração não coexistem.
Velas parecem inofensivas, mas são responsáveis por inúmeros incêndios em dezembro. Ensine onde posicioná-las, por que mantê-las longe de tecidos, álcool e papel, e quando apagá-las. Se quiser entregar uma alternativa realmente prática, apresente as velas de LED. É prevenção sem perder clima festivo.
4. Fale a verdade sobre fogos de artifício.
Para quem não é da área, fogos são diversão. Para nós, são um dos maiores causadores de queimaduras e amputações no fim de ano. Explique como identificar o lado correto, onde acender e quando simplesmente não usar. Oriente a comprar apenas produtos com CNPJ e instrução de uso clara. Essa é a conversa que ninguém tem, mas que todo mundo deveria ouvir.
5. Prepare sua família antes de viajar e evite incêndios silenciosos.
Ensine por que desligar aparelhos, fechar portas internas e fechar o registro de gás é prevenção eficiente. Mostre como portas fechadas atrasam a propagação do fogo e dão tempo para reação do Corpo de Bombeiros. Esse é o tipo de ensinamento que sua família leva para a vida toda.
E uma orientação final, talvez a mais importante: ensine todos ao seu redor a identificar rotas de fuga em qualquer lugar que entrarem.
O fim de ano não exige que você seja o herói da família. Exige que você seja a referência. A pessoa que fala antes, explica antes e orienta antes que algo aconteça.
Porque, quando o assunto é prevenção, o silêncio também é risco.
Essa PrevNews foi totalmente Inpirada no PrevCast 263!
Clique no vídeo para se aprofundar ainda mais no tema, e boas festas de fim de ano!
O que está acontecendo no PrevVerso? (Nosso universo)
Depois desse reforço de consciência… Vamos ficar por dentro das principais notícias do setor?
A seguir as 3 principais notícias do momento
Para começar, um movimento global que diz muito sobre para onde estamos indo
Um novo relatório de mercado mostrou que os sistemas de proteção contra incêndio devem praticamente dobrar até 2035, saltando de 75 para 152 bilhões de dólares. E isso não é só uma curiosidade econômica; é um recado claro de como a prevenção é tratada lá fora: como infraestrutura essencial.
Enquanto países inteiros avançam para sistemas inteligentes, detecção avançada e integração com IoT, nós ainda tentamos convencer muita gente de que projeto e inspeção não são “detalhe burocrático”.
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E já que falamos de cultura de prevenção, olha o alerta que voltou a aparecer
Todo ano a NFPA reforça a mesma mensagem e, mesmo assim, os dados impressionam. Dezembro segue como um dos meses mais críticos para incêndios residenciais. Cozinha liderando as estatísticas, aquecimento sendo responsável por quase metade dos casos de inverno e decorações natalinas completando o trio.
Ah, e agora temos o “fator baterias”, que vem crescendo em incidentes.
Lá fora, isso vira campanhas nacionais de conscientização. Aqui, seguimos tentando incluir um simples detector de fumaça na conversa doméstica.
E para fechar, um debate que poderia estar acontecendo no Brasil (mas ainda não está)
A União Europeia publicou um relatório sobre como preparar mão de obra para alcançar edifícios descarbonizados até 2050. O ponto central é que eficiência energética muda completamente o cenário de incêndio: novos isolamentos, sistemas elétricos complexos e materiais modernos exigem integração total com engenharia de incêndio.











